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quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Coleira no BDSM

Dentro do BDSM tudo gira em torno da consensualidade, mas como podemos controlar o que foi combinado? Para controlar o domínio exercido pelo DOM(ME), são feitos contratos onde são estabelecidos limites e fronteiras que podem ou não ser rompidas, e sim, os submissos tornam-se escravos consensualmente.

Tá, mas quais são termos contidos nesse tipo de contrato?

Primeiro é importante os tipos de relação existentes dentro do BDSM, após obter esse entendimento vamos aos termos e à importância deles dentro da relação.
Os contratos determinam em um primeiro momento o tipo de dominação que será exercida, então são listados os limites da dominação, se serão somente dentro do mundo BDSM ou se irão se expandir para a vida baú do dominado. Determina-se nesta parte do contrato, por exemplo, se o Dominador poderá interferir nas vestimentas do submisso ou se o submisso terá que dar satisfações de todos os seus passos para seu Dono.
Após essa parte são estabelecidos os limites físicos, psicológicos, as práticas que podem ou não ser abordadas durante a duração desta relação.  Nessa parte são abordadas quais práticas sexuais ou não poderão ser abordadas, limites a serem respeitados (flexíveis e rígidos). É determinada a Safeword e o Safesign. Também são expostas quaisquer que sejam as limitações físicas, problemas de saúde, alergias, medicações de uso contínuo, e qualquer outro tipo de informação que gere limites à relação.

Mas e a coleira?

A entrega da coleira é muito mais um ritual ou liturgia que algo burocrático, a coleira é entregue pelo Dono no momento em que ele passa a acreditar que aquele submisso merece carregar seu nome e sua marca, é um momento muito importante e intenso na relação, pois firma o compromisso diante da sociedade BDSM. Ao utilizar a coleira o submisso declara fisicamente para os outros sua servidão e entrega.


sábado, 6 de julho de 2019

Leilão de Escravos(as) no BDSM do Casual Clube

Vem aí o Leilão de Escravos do Casual Clube BDSM



Existe uma nostalgia geral e romântica entre Mestres e escravos: é a concepção do Mestre indo para o mercado de escravos e seleciona um deles, ou dando um lance para um escravo em um leilão, depois de rapidamente inspeciona-losos. A seleção dos escravos aqui é feito puramente em aspectos físicos e aparência.
Conquanto isso possa ser uma tradição antiga, nostálgica e mesmo romântica, é um conceito errado na moderna escravidão consensual. Um conceito errôneo e tão grande que deixa, como conseqüência, muitos escravos sem Mestres.
É , na verdade, o escravo que primeiro efetua um processo de seleção, cuidadosamente um Dominante adequado para ela.  Sim, eu sei que soa absurdo e de pernas para o ar mas é o jeito que deve ser.
O processo de seleção não é diferente de procurar um emprego. O empregado (escravo) primeiro adéqua suas habilidades, capacidades e a experiência com aqueles requeridos pelo seu empregador (Mestre). Uma vez que que o empregador (Mestre) adequado foi localizado, o empregado (escravo) e faz uma solicitação (petição do escravo) com vistas ao emprego. Depois da solicitação, é recebido por um empregador (Mestre), ele procede à seleção para localizar os mais capazes (escravos) para um entrevista e eventualmente contrata (põe coleira) à aqueles que se adéqua aos requisitos do empregador (Mestre), precisa e quer.
Por menos romântico que isso possa soar, o escravo é inicialmente quem pode julgar com propriedade se ela pode atender, satisfazer e servir os requisitos do Mestre, suas necessidades e vontades, e se isso vai ao encontro de seus desejos.
Pensando realisticamente: com todas as demandas, requisitos e expectativa um Mestre dentro de um relacionamento, seja de qual forma seja, é imperativo que o escravo inicialmente assegure-se que pode atender o que lhe é solicitado, sem ser influenciado de qualquer forma ou jeito pelo Mestre.
Nenhum Mestre, tenha a experiência que tiver ou mesmo sentindo-se onipotente, pode fazer o necessário julgamento inicial, como um escravo.
Uma vez tendo o Mestre tendo sido localizado e que atenda os desejos e capacidades do escravo aspirante, ela deve começar a sua tarefa mais importante, examinar o Mestre em potencial, seus valores, princípios, padrões moral, ética e crenças e avaliar, com toda a seriedade, se pode servir o Mestre, absoluta e incondicionalmente.
A importância da avaliação do caráter e dos valores de um Mestre em potencial não pode ser subestimada, uma vez que a vida, saúde e bem-estar, pode muito bem depender dessa avaliação.
Um escravo necessita estar atento que na Escravidão Absoluta e Troca de Poder Total e Absoluta (TPE), o Mestre tem o direito de mudar, alterar ou modificar os requisito dos serviços e expectativas , em qualquer momento, em qualquer razão e sob os critérios solitários do Mestre.
Os valores do Mestre, o caráter, princípios, percepções etc. devem ser levados em consideração, devido ao fato de que não mudam tão facilmente como os requisitos de serviço ou os fetiches.
Apresentamos algumas dicas que podem ajudar no processo de seleção de escravos:
  1. Esteja atento aos seus próprios desejos, necessidades ou sonhos e tome nota deles.
  2. Faça a lista das características, valores, princípios e condições que você considera mais importantes em um Mestre.
  3. Faça a lista das características indesejadas em um Mestre.
  4. Faça uma lista dos possíveis cenários do comprometimento enquanto escravo de um Mestre que poderiam ser aceitáveis ou não aceitáveis para você.
  5. Esteja atento e anoite o que você tem e pode oferecer ao Mestre.
  6. Pegue as características mais importantes das listas anteriores e as escreva conjuntamente como um resumo.
O resumo deve refletir honestamente quem é você, o que você deseja, suas necessidades e sonhos e qual o tipo de compromisso e o Mestre que você está procurando.
Agora vá e encontre um Mestre que atende as suas necessidades e desejos e quando você encontrar tal Mestre, não hesite por um momento para candidatar-se para servir a um Mestre e torcer para que o Mestre , por sua vez, queira encontra-lo e , finalmente, selecionar como seu escravo entre todos os candidatos.
Não tenha medo de rejeição. Não é apenas um processo de seleção mas também um processo de eliminação. Se o Mestre escolhido não o aceitá-lo como seu escravo, pode até ser algo bom. Um Mestre também sabe o que deseja e quer e se não há uma harmonia entre o Mestre e o escravo, não há razão para tentar forçar as coisas. (Tradução: Mestre JB)

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Grupo de whatsapp do Casual Clube BDSM

Duas características fazem esse ponto de encontro virtual um lugar único. Por um lado, se pode alcançar o mundo sem sair da comodidade da sua casa ou de uma Lan House. Por outro, se fica protegido pelo anonimato facilitando assim a vida das pessoas mais tímidas.

Um efeito colateral ruim dessa distância e desse anonimato é que servem para proteger e esconder o que existe de pior na raça humana. Trastes em geral existem em todos os nossos círculos de interação humana, mas para o BDSM migram alguns particularmente perigosos. Os Sem noção, sobre os quais falarei mais adiante.

A partir das minhas observações, pude distinguir pelas diferenças de comportamento alguns grupos básicos de pessoas. Mesmo tantos anos depois, e com o advento das novas tecnologias e mídias, tudo continua mais ou menos igual.

Mas antes das dicas é preciso que se reconheçam os tipinhos que frequentam as Salas de Bate-papo (e também o BDSM como um todo). Existem seis grupos principais desses indivíduos e estes são:


1. Os sérios e reais: Esse grupo é formado de pessoas que se conhecem e se frequentam. A maioria se conhece pessoalmente e se respeita.

2. Os virtuais: Pessoas sérias que não aparecem por causa da distância ou motivos pessoais.

3. Os recém chegados (eu entrei por aqui): São pessoas experientes que sempre viveram o seu BDSM de forma particular e que resolvem se aproximar de outros praticantes reais.

4. Os novatos: São pessoas seriamente interessadas em saber o que acontece, como funciona e quem são as pessoas que vivem no Universo BDSM. Leram livros, assistiram a filmes, passaram por situações ou simplesmente chegaram à conclusão que o Universo Baunilha não bastava para prover toda a intensidade e profundidade de prazer que elas almejavam. Entre estes se encontram os que procuram se encontrar, os que sabem bem o que procuram e os que não procuram nada, apenas se sentem à vontade com a verdade inerente a ser BDSM.

5. Paraquedistas: Entre eles estão os que entram nisso por engano, não entendem o que acontece e nem como funciona. A maioria vem procurar sexo fácil e colide com a realidade que no BDSM o sexo é muito difícil.

6. Os Sem noção (Trastes reais e virtuais): Estes merecem um capítulo só para eles.

Estes simplesmente não deveriam frequentar nem a sala BDSM nem o meio. Estão pelos motivos errados ou têm problemas psicológicos em algum nível. São os responsáveis por todo o desequilíbrio e coisas ruins que acontecem na sala e invariavelmente, no meio BDSM.

Sem-noção

O Sem-noção - Essa figura tem um pouco dos outros em maior ou menor grau. De certa forma todos são pessoas sem uma noção completa do que é o Universo BDSM em toda a sua grandeza, leveza e beleza. E por essa falta compreensão, não admitem nem para si mesmos que estão no lugar errado e teimam em permanecer no BDSM.

Todos esses tem algumas coisas em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.

Aqui vou me concentrar mais nos tipos deixando para falar mais profundamente sobre os "Sem noção" em outra oportunidade. 

Estes tipinhos que ainda circulam podem ser detectados a partir de seu comportamento. Alguns se situam em um tipo específico de comportamento, mas a maioria combina mais de um e às vezes vários desses comportamentos.
Entre eles posso citar:

Caçador de Sexo fácil - Os homens são a maioria neste grupo e é formado por jovens afoitos, maduros sufocados pela relação ou que acabaram de sair de relações. Os homens são maioria, mas existe uma quantidade significativa de mulheres nesse grupo.

Alices - Em referência a personagem da fábula "Alice no país das maravilhas", esta é a que chega ao BDSM presumindo que vai encontrar um mundo perfeito, o príncipe encantado e a solução dos seus problemas. Traz consigo os valores do mundo baunilha e invariavelmente se machuca. Se machuca menos,” quando encontra um "sem noção”.

Proto-dominantes - (ou crianças que pensam que são adultas) - Meninos e meninas que até tem potencial para se tornarem bons Dominantes no futuro, mas sem a maturidade e estrada percorridas necessárias, se colocam como Dominantes invariavelmente metendo os pés pelas mãos. Suas barbeiragens ocorrem por falta de experiência e/ou despreparo para lidar com o poder.

O Invejoso - (ou Parasita da felicidade alheia) Indivíduo que simplesmente não suporta a existência de alguém que é o que ele não consegue, mas queria muito ser. Para resumir, basta existir felicidade, paz, equilíbrio de um lado, que a pessoa sem isso vai se corroer por dentro por não ter isso para si mesma.

O Sabotador - Este é o invejoso em versão 2.0, ou seja, é o que sai do estado da inveja pura e simples para assumir uma atitude proativa no sentido de destruir a felicidade do alvo, atuando no sentido de sabotar, nos outros, o que não tem para si.

O Ator - Este é particularmente perigoso, porque tem guardadas dentro de si um conjunto de mágoas e problemas psicológicos. Ele é o tipo que cria um personagem e fica tentando interpretar. Existindo tanto no virtual quanto o real, se veste de preto, faz cara de mau, fala grosso e é um estudioso das liturgias alheiras. Posa de sabe-tudo, mas não escreve nada. Seu ataque insidioso não se esconde no anonimato e sim na ação reservada. 

Todos esses têm algumas características em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.


DICAS

Dito tudo isso, vamos às dicas, para o caso de você querer entender ou entrar em Sala, grupo ou mesmo no Universo BDSM. 

As dicas que seguem agora, servem para os que estão chegando ao BDSM, seja pelas Salas de Bate-papo, grupos, comunidades, indicação de amigos, sites de relacionamento ou qualquer outro meio. Estas são baseadas em toda a minha vivência, erros e acertos (muito mais pelos erros). E tem por objetivo, melhorar a convivência e a experiência que esses meios podem promover. Algumas são genéricas e de utilidade pública, outras bem específicas.

Ao chegar, fique na defensiva. Entenda, nessas salas e no meio BDSM como um todo, as pessoas boas são reais e se conhecem pessoalmente, então vale aqui as regrinhas básicas daquela educação que vem do berço. Seja uma pessoa educada, humilde e respeitosa em relação aos veteranos para ser levado a sério como um iniciante firme no propósito de participar desse meio.

Faça amizades, crie vínculos e seja real. Tenha um nome (nickname) próprio, e não um nome genérico simplesmente descritivo. Além de ter a oportunidade de ser conhecido por um nome que escolheu não pelo de batismo, os "reais" gostam de saber com quem falam. Amizade, respeito, confiança e reputação só podem ser construídas com tempo, ideias correspondendo aos fatos e com uma história comum escrita pelas partes, logo a lógica, de se construir isso em cima de um nome que não muda.
Não use o seu nome real ou seu número de celular principal, a não ser que expor a sua vida pessoal e uma maneira direta de contato para estranhos (com alguma chance de serem perigosos) terem acesso a você, não seja um problema. Ignorar essa dica é algo similar a uma brincadeira chamada "Roleta Russa". Lembre com o seu nome o estranho acessa o seu perfil do Facebook e pelo número de celular ele acessa a você diretamente.

Ainda nisso de se identificar e jogar Roleta Russa, não mostre seu rosto ou qualquer outro detalhe que possa lhe identificar positivamente nas fotos que divulga publicamente. Existe no Google um recurso de busca por imagem que pode te reconhecer.
Abra sua mente para uma nova realidade e para todo um conjunto novo de informações. Estude, leia, pesquise, debata e pergunte. Muito pouco dos valores que vai trazer das relações baunilha vão ser aproveitados e tenha em mente que este aprendizado nunca vai parar.

Não tenha pressa, capriche nas escolhas e use sempre o bom senso antes de qualquer passo ou decisão. A parte que realmente é importante desse aprendizado baunilha e que a maioria estranhamente esquece, está justamente na questão dos cuidados com a escolha de quem vai ficar por perto. 

Isso de escolher quem ficará por perto é algo que começamos a exercitar logo cedo em nossas vidas e que vamos aprimorando com o tempo a partir dos erros e acertos. Não sei bem a razão, o que mais se vê é todo esse aprendizado sendo literalmente ignorado quando a pessoa começa a interagir dentro do BDSM. 

Não se precipite, nunca. Não acredite em tudo o que te falam de imediato. Cheque as informações e pense se fazem sentido. Não aceite encontros sem ser em locais públicos e não esqueça que você vai estar, no caso de parte que se submete, entregando a sua segurança na mão de outra pessoa. Também no caso de quem se submete, verifique a reputação do seu pretenso parceiro e tenha absoluta certeza do que vai fazer. 

Para quem quer um relacionamento, não se deve perder a perspectiva que o BDSM é como um grande Parque de Diversões de adultos. Parques não são os melhores lugares para se procurar por relacionamentos, afinal de contas as pessoas que frequentam parques não vão lá para isso. Vão para se divertir e para viver experiências de prazer intenso.

Calma, apenas disse que não é para se procurar, pois essa procura termina sempre em frustração. Entre sem esse compromisso, divirta-se, e se tiver que acontecer, você vai acabar encontrando o amor da sua vida... e com sorte, alguém que goste de brincar no mesmo Parque de Diversões que você.

Existem outros procedimentos, mas esses que citei são os básicos para um bom começo.

No meu caso específico, divido as pessoas em dois grupos. As que eu me importo, mantenho por perto e cuido. E o resto, a quem sou indiferente. Recomendo esse tipo de comportamento pelo simples fato de que odiar consome muita energia boa. 

Os Sem noção, pela sua própria abundância, vão cruzar o seu caminho muitas vezes e em algumas delas, vão te atacar. Nessa hora o que funciona mais é ignorar e bloquear.

Eles nunca vão deixar de se incomodar com a existência de verdade e felicidade. Cabe aos verdadeiros e felizes não se deixarem afetar... e acredite a melhor arma contra um sem noção é apenas ser feliz.
GLADIUS MAXIMUS

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terça-feira, 2 de julho de 2019

Código e boas práticas BDSM

Qualquer comunidade deve reger-se por um conjunto de normas expressas num Código de conduta ou de boas práticas, no qual são estabelecidos critérios de orientação comportamental específicos que transmitam os valores e princípios dessa comunidade.
O código de boas práticas BDSM deve entender-se como uma ferramenta didática e pedagógica, servindo, simultaneamente, como elemento clarificador da imagem pública, combatendo, e evitando, a infamação, a ridicularização e a recriminação.
O Código considera o BDSM como uma postura social livre, leal e consciente. Visa um clima de confiança na comunidade atribuindo responsabilidades, e deveres, aos diferentes grupos de interesses, comprometendo-se com o respeito pelos direitos humanos.


II – ÂMBITO
É convicção do Consensual que o presente código estabelece os valores e princípios de conduta que deveriam ser seguidos pela comunidade BDSM portuguesa.
Pretende-se que este código seja amplamente divulgado e respeitado no seio da comunidade, bem como, na abordagem do tema com terceiros. É neste contexto que um grupo de membros ativos da comunidade, decidiu elaborar e divulgar este código, dirigindo-o a todos os maiores de 18 anos que se identifiquem com o BDSM.
III – OBJETIVOS
O código de conduta BDSM tem como principais objetivos:
– Orientar os membros da comunidade para a tomada de atitudes corretas;
– Fomentar a introdução de valores éticos;
– Proteger e promover a imagem pública da comunidade;
– Contribuir para a clarificação da responsabilidade social;
– Promover a excelência.
IV – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
SÃO, SEGURO E CONSENSUAL
– São, Seguro e Consensual significa muito mais do que o simples respeitar das regras, deverá, acima de tudo, valorizar o respeito pelo outro, ser um modo de estar, e não, simplesmente, refletir-se nas ações.
– O conceito engloba a problemática do abuso de poder, o uso de práticas dentro do respeito pelas regras, a distinção entre BDSM e violência (tanto física como psicológica), e ainda alertar para o perigo de fatores que possam diminuir as capacidades de avaliação do risco, como o uso de álcool, drogas e outras substâncias que influenciem o estado de consciência.
– Consensualidade pressupõe entendimento e aceitação mútua das regras e dos limites acordados, pelo que nunca devem ser desrespeitados. Submissão não é subserviência cega e inconsequente e todos, Dominadores ou submissos, são acima de tudo seres humanos.
– Há práticas BDSM que podem revestir-se de algum grau de risco. Antes do envolvimento nessas práticas, devem os seus intervenientes documentar-se e desenvolver competências de modo a reduzir o risco e evitar acidentes, alguns dos quais com consequências, a curto ou longo prazo, irreversíveis. Devem igualmente munir-se dos instrumentos indispensáveis à minimização de danos e, em caso de acidente, utilizar sempre o melhor e mais rápido acesso a meios de ajuda adequados a cada situação, incluindo a ajuda de terceiros.
– Existem práticas BDSM que atingem graus elevados de intensidade física e/ou emocional, pelo que a atenção e a comunicação devem ser constantes durante e após cada “sessão”, de forma a garantir o bem-estar dos intervenientes. Quando for desejo de uma das partes que a atividade cesse, deve-se parar e fazer uso da “Safeword” sem quaisquer receios.
RESPONSABILIDADE
– Cada pessoa envolvida em BDSM é responsável pelos seus atos, seja Dominador ou submisso, devendo zelar pela sua segurança e promover, sempre que possível, a dos outros.
– Cada praticante de BDSM, no âmbito do dever de responsabilidade que lhe incumbe deverá abster-se, de forma absoluta e imediata, de práticas de BDSM com menores e, em caso de dúvida, deverá certificar-se de que o mesmo é maior por todas as vias e meios que tiver ao seu alcance. Caso subsistam dúvidas não deverá encetar qualquer tipo de interação.
 – Deverá igualmente abster-se de forma absoluta e imediata de levar a cabo atividades, ou obter vantagens, com pessoas que notoriamente apresentem diminuição das capacidades cognitivas e de avaliação, seja de forma permanente ou temporária, ou ainda debilidade física ou emocional, seja por causa natural, por doença ou pelo consumo ou utilização de substâncias que a promovam.
– A responsabilidade de qualquer indivíduo para com a comunidade BDSM passa pelo repúdio de quaisquer atividades que à luz da lei configurem uma prática ilícita, e pela tomada de medidas que promovam a sua prevenção.
LIBERDADE
– Um indivíduo envolvido em BDSM nunca deverá esquecer-se de que todas as pessoas que estão no meio escolheram livremente esta forma de estar na vida.
 – Deverá, acima de tudo, saber usar a liberdade que o BDSM põe à sua disposição e perceber que BDSM são relações, ou interações entre pessoas e, como tal, deverá agir em absoluto respeito pela liberdade do próximo.
INTEGRIDADE
– O aproveitamento do contexto BDSM de uma forma abscôndita em prejuízo de terceiros, nomeadamente para satisfazer frustrações, interesses e caprichos pessoais, é considerado reprovável e não deve ser incentivado. Particularmente grave é o seu aproveitamento para a obtenção de sexo fácil e gratuito.
TOLERÂNCIA
– Deveremos respeitar as práticas dos outros, ainda que sejam diferentes das nossas. Ninguém deverá ser discriminado pelos seus fetiches, gostos, preferências ou orientações sexuais, desde que estas se enquadrem dentro dos princípios que constam deste código.
VERDADE E TRANSPARÊNCIA
– Antes de iniciar qualquer tipo de interação, devem os seus intervenientes, fornecer de forma clara e exata, informação sobre o seu grau de experiência, limitações físicas ou psicológicas, estado de saúde, e limites.
– De forma a permitir o exercício de escolhas livres e informadas, os intervenientes devem esclarecer-se mútua e honestamente quanto a todos e quaisquer factos que, em consciência, possam condicionar as referidas escolhas ou potenciar danos emocionais ou psicológicos.
CONHECIMENTO
– Toda e qualquer pessoa que se identifique com o BDSM, deverá procurar adquirir um conhecimento abrangente e profundo sobre as práticas que lhe interessem. A prática esclarecida do BDSM, por si só, constitui um mecanismo de defesa dos intervenientes em relação aos riscos envolvidos.
PRIVACIDADE E SIGILO
– Os praticantes de BDSM devem ter a noção exata do significado das palavras privacidade e sigilo, sendo que as referidas noções implicam, entre outras questões, a não exposição pública dos parceiros ou de terceiros contra a sua vontade.
– No exercício de atos de BDSM, em público, a privacidade dos outros nunca deverá ser invadida.
V – COMPORTAMENTO ENTRE MEMBROS
– O relacionamento entre os membros da comunidade BDSM deve basear-se nos princípios de respeito, civismo, educação, lealdade, seriedade e confiança.
– A existência de uma relação de compromisso entre duas ou mais pessoas deverá ser respeitada, pelo que ninguém deverá agir de forma a fragilizar essas relações, quer seja usando o assédio, a intriga, a mentira, a difamação, ou outra qualquer conduta eticamente reprovável.
– Os membros mais experientes devem apoiar, esclarecer e aconselhar os membros menos experientes, em situações relacionadas com as práticas BDSM.
 – Os membros da comunidade BDSM deverão pugnar pela suficiente abertura de espírito que lhes permita aceitar as críticas que lhes sejam dirigidas, com propriedade, pelos outros membros. A posição crítica de qualquer membro deverá ser elaborada e acolhida como construtiva, repudiando-se as críticas que não se baseiem em tal propósito.
– Quando um membro tiver conhecimento de uma conduta considerada desapropriada à luz do presente Código, por parte de outro membro deve, de forma fundamentada, apresentar-lhe a sua crítica e tentar, com ele, estabelecer formas para a corrigir. Se esta conduta se mantiver, deve informar a comunidade através dos meios de que dispuser, dando disso conhecimento ao outro.
VI – COMPORTAMENTO COM O EXTERIOR
– Sabemos que um indivíduo que pratica BDSM, reflete no BDSM o carácter, cultura e educação cívica que realmente possui, por isso, devemos unir esforços no sentido de elevar, tanto quanto possível esses padrões, já que são os atos e as acões que caracterizam os indivíduos.
– Para podermos transmitir uma imagem positiva para o exterior, esperando alguma respeitabilidade, deveremos agir com extrema hombridade, coerência e firmeza, quanto aos princípios que defendemos.
– Deveremos ser criteriosos na colaboração com a imprensa, para evitarmos a deturpação de ideias e conceitos que em nada dignificam a comunidade.
 – Os praticantes de BDSM devem entender as presentes linhas de orientação, tanto no seio da comunidade como no relacionamento com o exterior, como forma de fomentar e manter a auto-estima e a coesão da própria comunidade.


Regras do grupo > Veja aqui