quinta-feira, 4 de julho de 2019

Grupo de whatsapp do Casual Clube BDSM

Duas características fazem esse ponto de encontro virtual um lugar único. Por um lado, se pode alcançar o mundo sem sair da comodidade da sua casa ou de uma Lan House. Por outro, se fica protegido pelo anonimato facilitando assim a vida das pessoas mais tímidas.

Um efeito colateral ruim dessa distância e desse anonimato é que servem para proteger e esconder o que existe de pior na raça humana. Trastes em geral existem em todos os nossos círculos de interação humana, mas para o BDSM migram alguns particularmente perigosos. Os Sem noção, sobre os quais falarei mais adiante.

A partir das minhas observações, pude distinguir pelas diferenças de comportamento alguns grupos básicos de pessoas. Mesmo tantos anos depois, e com o advento das novas tecnologias e mídias, tudo continua mais ou menos igual.

Mas antes das dicas é preciso que se reconheçam os tipinhos que frequentam as Salas de Bate-papo (e também o BDSM como um todo). Existem seis grupos principais desses indivíduos e estes são:


1. Os sérios e reais: Esse grupo é formado de pessoas que se conhecem e se frequentam. A maioria se conhece pessoalmente e se respeita.

2. Os virtuais: Pessoas sérias que não aparecem por causa da distância ou motivos pessoais.

3. Os recém chegados (eu entrei por aqui): São pessoas experientes que sempre viveram o seu BDSM de forma particular e que resolvem se aproximar de outros praticantes reais.

4. Os novatos: São pessoas seriamente interessadas em saber o que acontece, como funciona e quem são as pessoas que vivem no Universo BDSM. Leram livros, assistiram a filmes, passaram por situações ou simplesmente chegaram à conclusão que o Universo Baunilha não bastava para prover toda a intensidade e profundidade de prazer que elas almejavam. Entre estes se encontram os que procuram se encontrar, os que sabem bem o que procuram e os que não procuram nada, apenas se sentem à vontade com a verdade inerente a ser BDSM.

5. Paraquedistas: Entre eles estão os que entram nisso por engano, não entendem o que acontece e nem como funciona. A maioria vem procurar sexo fácil e colide com a realidade que no BDSM o sexo é muito difícil.

6. Os Sem noção (Trastes reais e virtuais): Estes merecem um capítulo só para eles.

Estes simplesmente não deveriam frequentar nem a sala BDSM nem o meio. Estão pelos motivos errados ou têm problemas psicológicos em algum nível. São os responsáveis por todo o desequilíbrio e coisas ruins que acontecem na sala e invariavelmente, no meio BDSM.

Sem-noção

O Sem-noção - Essa figura tem um pouco dos outros em maior ou menor grau. De certa forma todos são pessoas sem uma noção completa do que é o Universo BDSM em toda a sua grandeza, leveza e beleza. E por essa falta compreensão, não admitem nem para si mesmos que estão no lugar errado e teimam em permanecer no BDSM.

Todos esses tem algumas coisas em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.

Aqui vou me concentrar mais nos tipos deixando para falar mais profundamente sobre os "Sem noção" em outra oportunidade. 

Estes tipinhos que ainda circulam podem ser detectados a partir de seu comportamento. Alguns se situam em um tipo específico de comportamento, mas a maioria combina mais de um e às vezes vários desses comportamentos.
Entre eles posso citar:

Caçador de Sexo fácil - Os homens são a maioria neste grupo e é formado por jovens afoitos, maduros sufocados pela relação ou que acabaram de sair de relações. Os homens são maioria, mas existe uma quantidade significativa de mulheres nesse grupo.

Alices - Em referência a personagem da fábula "Alice no país das maravilhas", esta é a que chega ao BDSM presumindo que vai encontrar um mundo perfeito, o príncipe encantado e a solução dos seus problemas. Traz consigo os valores do mundo baunilha e invariavelmente se machuca. Se machuca menos,” quando encontra um "sem noção”.

Proto-dominantes - (ou crianças que pensam que são adultas) - Meninos e meninas que até tem potencial para se tornarem bons Dominantes no futuro, mas sem a maturidade e estrada percorridas necessárias, se colocam como Dominantes invariavelmente metendo os pés pelas mãos. Suas barbeiragens ocorrem por falta de experiência e/ou despreparo para lidar com o poder.

O Invejoso - (ou Parasita da felicidade alheia) Indivíduo que simplesmente não suporta a existência de alguém que é o que ele não consegue, mas queria muito ser. Para resumir, basta existir felicidade, paz, equilíbrio de um lado, que a pessoa sem isso vai se corroer por dentro por não ter isso para si mesma.

O Sabotador - Este é o invejoso em versão 2.0, ou seja, é o que sai do estado da inveja pura e simples para assumir uma atitude proativa no sentido de destruir a felicidade do alvo, atuando no sentido de sabotar, nos outros, o que não tem para si.

O Ator - Este é particularmente perigoso, porque tem guardadas dentro de si um conjunto de mágoas e problemas psicológicos. Ele é o tipo que cria um personagem e fica tentando interpretar. Existindo tanto no virtual quanto o real, se veste de preto, faz cara de mau, fala grosso e é um estudioso das liturgias alheiras. Posa de sabe-tudo, mas não escreve nada. Seu ataque insidioso não se esconde no anonimato e sim na ação reservada. 

Todos esses têm algumas características em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.


DICAS

Dito tudo isso, vamos às dicas, para o caso de você querer entender ou entrar em Sala, grupo ou mesmo no Universo BDSM. 

As dicas que seguem agora, servem para os que estão chegando ao BDSM, seja pelas Salas de Bate-papo, grupos, comunidades, indicação de amigos, sites de relacionamento ou qualquer outro meio. Estas são baseadas em toda a minha vivência, erros e acertos (muito mais pelos erros). E tem por objetivo, melhorar a convivência e a experiência que esses meios podem promover. Algumas são genéricas e de utilidade pública, outras bem específicas.

Ao chegar, fique na defensiva. Entenda, nessas salas e no meio BDSM como um todo, as pessoas boas são reais e se conhecem pessoalmente, então vale aqui as regrinhas básicas daquela educação que vem do berço. Seja uma pessoa educada, humilde e respeitosa em relação aos veteranos para ser levado a sério como um iniciante firme no propósito de participar desse meio.

Faça amizades, crie vínculos e seja real. Tenha um nome (nickname) próprio, e não um nome genérico simplesmente descritivo. Além de ter a oportunidade de ser conhecido por um nome que escolheu não pelo de batismo, os "reais" gostam de saber com quem falam. Amizade, respeito, confiança e reputação só podem ser construídas com tempo, ideias correspondendo aos fatos e com uma história comum escrita pelas partes, logo a lógica, de se construir isso em cima de um nome que não muda.
Não use o seu nome real ou seu número de celular principal, a não ser que expor a sua vida pessoal e uma maneira direta de contato para estranhos (com alguma chance de serem perigosos) terem acesso a você, não seja um problema. Ignorar essa dica é algo similar a uma brincadeira chamada "Roleta Russa". Lembre com o seu nome o estranho acessa o seu perfil do Facebook e pelo número de celular ele acessa a você diretamente.

Ainda nisso de se identificar e jogar Roleta Russa, não mostre seu rosto ou qualquer outro detalhe que possa lhe identificar positivamente nas fotos que divulga publicamente. Existe no Google um recurso de busca por imagem que pode te reconhecer.
Abra sua mente para uma nova realidade e para todo um conjunto novo de informações. Estude, leia, pesquise, debata e pergunte. Muito pouco dos valores que vai trazer das relações baunilha vão ser aproveitados e tenha em mente que este aprendizado nunca vai parar.

Não tenha pressa, capriche nas escolhas e use sempre o bom senso antes de qualquer passo ou decisão. A parte que realmente é importante desse aprendizado baunilha e que a maioria estranhamente esquece, está justamente na questão dos cuidados com a escolha de quem vai ficar por perto. 

Isso de escolher quem ficará por perto é algo que começamos a exercitar logo cedo em nossas vidas e que vamos aprimorando com o tempo a partir dos erros e acertos. Não sei bem a razão, o que mais se vê é todo esse aprendizado sendo literalmente ignorado quando a pessoa começa a interagir dentro do BDSM. 

Não se precipite, nunca. Não acredite em tudo o que te falam de imediato. Cheque as informações e pense se fazem sentido. Não aceite encontros sem ser em locais públicos e não esqueça que você vai estar, no caso de parte que se submete, entregando a sua segurança na mão de outra pessoa. Também no caso de quem se submete, verifique a reputação do seu pretenso parceiro e tenha absoluta certeza do que vai fazer. 

Para quem quer um relacionamento, não se deve perder a perspectiva que o BDSM é como um grande Parque de Diversões de adultos. Parques não são os melhores lugares para se procurar por relacionamentos, afinal de contas as pessoas que frequentam parques não vão lá para isso. Vão para se divertir e para viver experiências de prazer intenso.

Calma, apenas disse que não é para se procurar, pois essa procura termina sempre em frustração. Entre sem esse compromisso, divirta-se, e se tiver que acontecer, você vai acabar encontrando o amor da sua vida... e com sorte, alguém que goste de brincar no mesmo Parque de Diversões que você.

Existem outros procedimentos, mas esses que citei são os básicos para um bom começo.

No meu caso específico, divido as pessoas em dois grupos. As que eu me importo, mantenho por perto e cuido. E o resto, a quem sou indiferente. Recomendo esse tipo de comportamento pelo simples fato de que odiar consome muita energia boa. 

Os Sem noção, pela sua própria abundância, vão cruzar o seu caminho muitas vezes e em algumas delas, vão te atacar. Nessa hora o que funciona mais é ignorar e bloquear.

Eles nunca vão deixar de se incomodar com a existência de verdade e felicidade. Cabe aos verdadeiros e felizes não se deixarem afetar... e acredite a melhor arma contra um sem noção é apenas ser feliz.
GLADIUS MAXIMUS

Entre no grupo clicando aqui

Entre no grupo clicando acima!



terça-feira, 2 de julho de 2019

Código e boas práticas BDSM

Qualquer comunidade deve reger-se por um conjunto de normas expressas num Código de conduta ou de boas práticas, no qual são estabelecidos critérios de orientação comportamental específicos que transmitam os valores e princípios dessa comunidade.
O código de boas práticas BDSM deve entender-se como uma ferramenta didática e pedagógica, servindo, simultaneamente, como elemento clarificador da imagem pública, combatendo, e evitando, a infamação, a ridicularização e a recriminação.
O Código considera o BDSM como uma postura social livre, leal e consciente. Visa um clima de confiança na comunidade atribuindo responsabilidades, e deveres, aos diferentes grupos de interesses, comprometendo-se com o respeito pelos direitos humanos.


II – ÂMBITO
É convicção do Consensual que o presente código estabelece os valores e princípios de conduta que deveriam ser seguidos pela comunidade BDSM portuguesa.
Pretende-se que este código seja amplamente divulgado e respeitado no seio da comunidade, bem como, na abordagem do tema com terceiros. É neste contexto que um grupo de membros ativos da comunidade, decidiu elaborar e divulgar este código, dirigindo-o a todos os maiores de 18 anos que se identifiquem com o BDSM.
III – OBJETIVOS
O código de conduta BDSM tem como principais objetivos:
– Orientar os membros da comunidade para a tomada de atitudes corretas;
– Fomentar a introdução de valores éticos;
– Proteger e promover a imagem pública da comunidade;
– Contribuir para a clarificação da responsabilidade social;
– Promover a excelência.
IV – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
SÃO, SEGURO E CONSENSUAL
– São, Seguro e Consensual significa muito mais do que o simples respeitar das regras, deverá, acima de tudo, valorizar o respeito pelo outro, ser um modo de estar, e não, simplesmente, refletir-se nas ações.
– O conceito engloba a problemática do abuso de poder, o uso de práticas dentro do respeito pelas regras, a distinção entre BDSM e violência (tanto física como psicológica), e ainda alertar para o perigo de fatores que possam diminuir as capacidades de avaliação do risco, como o uso de álcool, drogas e outras substâncias que influenciem o estado de consciência.
– Consensualidade pressupõe entendimento e aceitação mútua das regras e dos limites acordados, pelo que nunca devem ser desrespeitados. Submissão não é subserviência cega e inconsequente e todos, Dominadores ou submissos, são acima de tudo seres humanos.
– Há práticas BDSM que podem revestir-se de algum grau de risco. Antes do envolvimento nessas práticas, devem os seus intervenientes documentar-se e desenvolver competências de modo a reduzir o risco e evitar acidentes, alguns dos quais com consequências, a curto ou longo prazo, irreversíveis. Devem igualmente munir-se dos instrumentos indispensáveis à minimização de danos e, em caso de acidente, utilizar sempre o melhor e mais rápido acesso a meios de ajuda adequados a cada situação, incluindo a ajuda de terceiros.
– Existem práticas BDSM que atingem graus elevados de intensidade física e/ou emocional, pelo que a atenção e a comunicação devem ser constantes durante e após cada “sessão”, de forma a garantir o bem-estar dos intervenientes. Quando for desejo de uma das partes que a atividade cesse, deve-se parar e fazer uso da “Safeword” sem quaisquer receios.
RESPONSABILIDADE
– Cada pessoa envolvida em BDSM é responsável pelos seus atos, seja Dominador ou submisso, devendo zelar pela sua segurança e promover, sempre que possível, a dos outros.
– Cada praticante de BDSM, no âmbito do dever de responsabilidade que lhe incumbe deverá abster-se, de forma absoluta e imediata, de práticas de BDSM com menores e, em caso de dúvida, deverá certificar-se de que o mesmo é maior por todas as vias e meios que tiver ao seu alcance. Caso subsistam dúvidas não deverá encetar qualquer tipo de interação.
 – Deverá igualmente abster-se de forma absoluta e imediata de levar a cabo atividades, ou obter vantagens, com pessoas que notoriamente apresentem diminuição das capacidades cognitivas e de avaliação, seja de forma permanente ou temporária, ou ainda debilidade física ou emocional, seja por causa natural, por doença ou pelo consumo ou utilização de substâncias que a promovam.
– A responsabilidade de qualquer indivíduo para com a comunidade BDSM passa pelo repúdio de quaisquer atividades que à luz da lei configurem uma prática ilícita, e pela tomada de medidas que promovam a sua prevenção.
LIBERDADE
– Um indivíduo envolvido em BDSM nunca deverá esquecer-se de que todas as pessoas que estão no meio escolheram livremente esta forma de estar na vida.
 – Deverá, acima de tudo, saber usar a liberdade que o BDSM põe à sua disposição e perceber que BDSM são relações, ou interações entre pessoas e, como tal, deverá agir em absoluto respeito pela liberdade do próximo.
INTEGRIDADE
– O aproveitamento do contexto BDSM de uma forma abscôndita em prejuízo de terceiros, nomeadamente para satisfazer frustrações, interesses e caprichos pessoais, é considerado reprovável e não deve ser incentivado. Particularmente grave é o seu aproveitamento para a obtenção de sexo fácil e gratuito.
TOLERÂNCIA
– Deveremos respeitar as práticas dos outros, ainda que sejam diferentes das nossas. Ninguém deverá ser discriminado pelos seus fetiches, gostos, preferências ou orientações sexuais, desde que estas se enquadrem dentro dos princípios que constam deste código.
VERDADE E TRANSPARÊNCIA
– Antes de iniciar qualquer tipo de interação, devem os seus intervenientes, fornecer de forma clara e exata, informação sobre o seu grau de experiência, limitações físicas ou psicológicas, estado de saúde, e limites.
– De forma a permitir o exercício de escolhas livres e informadas, os intervenientes devem esclarecer-se mútua e honestamente quanto a todos e quaisquer factos que, em consciência, possam condicionar as referidas escolhas ou potenciar danos emocionais ou psicológicos.
CONHECIMENTO
– Toda e qualquer pessoa que se identifique com o BDSM, deverá procurar adquirir um conhecimento abrangente e profundo sobre as práticas que lhe interessem. A prática esclarecida do BDSM, por si só, constitui um mecanismo de defesa dos intervenientes em relação aos riscos envolvidos.
PRIVACIDADE E SIGILO
– Os praticantes de BDSM devem ter a noção exata do significado das palavras privacidade e sigilo, sendo que as referidas noções implicam, entre outras questões, a não exposição pública dos parceiros ou de terceiros contra a sua vontade.
– No exercício de atos de BDSM, em público, a privacidade dos outros nunca deverá ser invadida.
V – COMPORTAMENTO ENTRE MEMBROS
– O relacionamento entre os membros da comunidade BDSM deve basear-se nos princípios de respeito, civismo, educação, lealdade, seriedade e confiança.
– A existência de uma relação de compromisso entre duas ou mais pessoas deverá ser respeitada, pelo que ninguém deverá agir de forma a fragilizar essas relações, quer seja usando o assédio, a intriga, a mentira, a difamação, ou outra qualquer conduta eticamente reprovável.
– Os membros mais experientes devem apoiar, esclarecer e aconselhar os membros menos experientes, em situações relacionadas com as práticas BDSM.
 – Os membros da comunidade BDSM deverão pugnar pela suficiente abertura de espírito que lhes permita aceitar as críticas que lhes sejam dirigidas, com propriedade, pelos outros membros. A posição crítica de qualquer membro deverá ser elaborada e acolhida como construtiva, repudiando-se as críticas que não se baseiem em tal propósito.
– Quando um membro tiver conhecimento de uma conduta considerada desapropriada à luz do presente Código, por parte de outro membro deve, de forma fundamentada, apresentar-lhe a sua crítica e tentar, com ele, estabelecer formas para a corrigir. Se esta conduta se mantiver, deve informar a comunidade através dos meios de que dispuser, dando disso conhecimento ao outro.
VI – COMPORTAMENTO COM O EXTERIOR
– Sabemos que um indivíduo que pratica BDSM, reflete no BDSM o carácter, cultura e educação cívica que realmente possui, por isso, devemos unir esforços no sentido de elevar, tanto quanto possível esses padrões, já que são os atos e as acões que caracterizam os indivíduos.
– Para podermos transmitir uma imagem positiva para o exterior, esperando alguma respeitabilidade, deveremos agir com extrema hombridade, coerência e firmeza, quanto aos princípios que defendemos.
– Deveremos ser criteriosos na colaboração com a imprensa, para evitarmos a deturpação de ideias e conceitos que em nada dignificam a comunidade.
 – Os praticantes de BDSM devem entender as presentes linhas de orientação, tanto no seio da comunidade como no relacionamento com o exterior, como forma de fomentar e manter a auto-estima e a coesão da própria comunidade.


Regras do grupo > Veja aqui

segunda-feira, 1 de julho de 2019

BDSM sempre envolve bater e apanhar? Veja algumas práticas que provam que não

Embora numa versão mais leve, o best-seller "Cinquenta Tons de Cinza" descortinou o universo do sadomasoquismo para as massas em 2012. Sadomasoquismo é uma parafilia, ou seja, uma forma de obter prazer de maneira incomum à maioria, e que nem sempre envolve sexo ou penetração. Não é perversão ou doença. E, embora reúna, sim, práticas violentas e até perigosas, o BDSM tem uma ampla gama de práticas que não envolvem bater e apanhar. Como o sexo começa na mente, uma das principais curtições envolvendo o sadomasoquismo é o jogo psicológico de dominação e submissão (lembrando que a consensualidade é fundamental). 

Veja sugestões de práticas BDSM que não envolvem dor: 
Podofilia Não confunda com pedofilia. 
A podofilia também pode ser chamada de podolatria. Consiste em usar os pés para jogos sexuais, descalços ou calçados com botas de couro, saltos finos, sandálias transparentes... Depende do fetiche de cada pessoa. O submisso pode, entre outras coisas, adorar o pé de quem está no papel da dominação, se ajoelhando e beijando cada dedo.

Imobilização 
Quem faz o papel de masoquista ou submisso é impedido de se mover pelo outro. Isso pode ser feito de diversas formas: via amarrações (bondage), com correntes, cadeados, algemas e por aí vai. O dominador, então, pode fazer ou não brincadeiras eróticas com a pessoa imóvel.

Privação sensorial Também tem a ver com a imobilização, mas inclui vendas nos olhos, máscaras, fones de ouvidos e mordaças. Com um ou mais sentidos "prejudicados", o submisso fica sensível aos estímulos do dominador.

Cócegas 
No vocabulário sadomasoquista, a tortura com cócegas sem chama "tickling". É um castigo leve para testar a resistência do par --em geral, amarrado ou algemado-- aos arrepios.

Roleplay 
Nessa prática, que pode estar ou não ligada ao universo sadomasô, o casal interpreta personagens e forja situações que tragam excitação. Exemplos? Um encarnar chefe e o outro o funcionário, um animal de estimação e seu dono (petplay), um assumir a função de detetive e o outro de fugitivo... A proposta é mandar e obedecer.

Raspagem de pelos e cabelos 
É uma forma de "objetificar" o corpo do dominado, usando-o para seu prazer. Outras variações: fazer o submisso vestir certas roupas, comer determinados pratos, posar para fotos, andar nu pela casa etc. Lembrando: tudo é feito de forma consensual.

Humilhação 
Xingamentos e depreciações dão a tônica dessa prática, que pode ser feita em público --geralmente, em festas e clubes voltados ao sadomasoquismo-- ou no ambiente privado.

Regras restritivas de conduta 
Não usar determinadas roupas, não falar certas palavras, se dirigir ao dominador somente depois de pedir licença e sem olhar diretamente para ele, adotar algum adereço específico que mostre que a pessoa tem "dono"... Esses são alguns exemplos de normas que o "mestre" pode impor ao submisso.

Infantilismo 
Significa, literalmente, infantilizar o outro com fraldas, mamadeiras, bichos de pelúcia, chupetas e demais itens do universo infantil, mais precisamente dos bebês. Mais do que a sensação de poder sobre o outro, é a entrega do par à situação que causam prazer em ambos. 
FONTES: Arlete Girello Gavranic, terapeuta sexual e coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (Isexp); Carla Cecarello, psicóloga, terapeuta sexual e presidente da Associação Brasileira de Sexualidade (ABS), e Oswaldo Martins Rodrigues Jr., terapeuta sexual, diretor do Instituto Paulista de Sexualid.

Deveres de um(a) submissa
Juramento de uma submissa
25 regras do bdsm que você vai aprender aqui




sábado, 29 de junho de 2019

25 fatos sobre o BDSM que você vai aprender no Casual Clube BDSM

1. Para começo de conversa, aqui está o que BDSM realmente significa:

BDSM inclui bondage e disciplina (B e D), dominação e submissão (D e S), e sadismo e masoquismo (S e M). Os termos são agrupados dessa forma porque BDSM pode ser um monte de coisas diferentes para pessoas diferentes, com diferentes preferências, a escritora de BDSM e educadora Clarisse Thorn, autora de The S&M Feminist, diz ao BuzzFeed Life. Na maioria das vezes, os interesses de uma pessoa caem em uma ou duas dessas categorias, em vez de todas elas.

2. Isso nem sempre envolve sexo, mas pode.

A maioria das pessoas acha que o BDSM está sempre ligado ao sexo, e enquanto ele pode estar para algumas pessoas, outras traçam grandes diferenças entre os dois. "Ambos são experiências corporais que são muito intensas e sensuais, e causam muitos sentimentos fortíssimos em pessoas que os praticam, mas eles não são a mesma coisa", diz Thorn. A metáfora que ela usa para isso: uma massagem. Às vezes uma massagem, embora seja sensual, é apenas uma massagem. Para outros, uma massagem quase sempre leva ao sexo. Acontece quase o mesmo com o BDSM; é uma questão de preferência pessoal e sexual.


3. Não há nada inerentemente errado ou doentio com as pessoas que o praticam.

Este é um dos equívocos mais comuns e frustrantes sobre o BDSM, diz Thorn. O BDSM não é algo que emerge de abuso ou violência doméstica, e se engajar nessa prática não quer dizer que você gosta de abuso ou de abusar.
Em vez disso, desfrutar do BDSM é apenas uma faceta da sexualidade e estilo de vida de alguém. "São apenas pessoas comuns que por acaso se extravasam dessa forma", a especialista em sexo Gloria Brame, Ph.D., autora de Different Loving, diz ao BuzzFeed Life. "São os seus vizinhos e seus professores, e as pessoas ensacando suas compras. O maior mito é o de que você precisa deste conjunto especial de circunstâncias. São pessoas normais que têm uma necessidade de que isso seja sua dinâmica íntima".

6. 50 Tons de Cinza é considerado muito constrangedor na comunidade BDSM.

Se você alguma vez encontrar-se em uma reunião ou masmorra BDSM, não mencione qualquertom de cinza. Enquanto algumas pessoas apreciam que os livros estimularam mais interesse nestas práticas e que podem ter tornado isso menos estigmatizado, outras criticam a relação doentia e abusiva que o livro retrata e as cenas surreais. Em suma, não é uma representação precisa da comunidade BDSM.

7. Não são chicotes e correntes o tempo todo — ou nunca, se você preferir

Claro, alguns entusiastas de S e M podem ter estes objetos em seu arsenal, mas definitivamente não é o tipo de coisa que todos gostam. "Algumas pessoas preferem o que é chamado de 'dominação sensual', que é onde podem haver alguns brinquedos ou jogos, mas nenhuma dor envolvida", diz Brame. "É mais como um parceiro concordar em fazer tudo o que a outra pessoa pede. O BDSM não tem que seguir qualquer padrão, e não há um modelo ideal para um relacionamento BDSM."

8. Encontros BDSM são chamados de "cenas"

Mais uma vez, como nem sempre é sobre a relação sexual, você não necessariamente diria que "teve relações sexuais" ou "transou" com alguém depois de uma experiência BDSM. Em vez disso, isso é chamado de cena (como se você tivesse encenado algo com alguém ou que você teve uma cena).
"Isso é uma evolução a partir do momento em que, se você fez S e M, você pode fazê-lo apenas com um profissional por uma hora, ou você pode apenas vê-lo sendo realizado em um clube de BDSM", diz Brame. "Agora as pessoas têm relações muito mais orgânicas, mas elas ainda chamam isso de uma cena — o momento em que descobrimos os brinquedos ou entramos nesse espaço vazio".

9. Há dominantes, submissos, superiores e inferiores

Então você provavelmente já ouviu falar sobre dominantes e submissos (se não, o dominante gosta de estar no comando, enquanto o submisso gosta de receber ordens). Mas os praticantes de BDSM também podem utilizar os termos "superiores" e "inferiores" para descreverem a si mesmos. Um superior poderia se referir a um dominante ou um sadista (alguém que gosta de infligir dor), enquanto um inferior pode se referir a um submisso ou um masoquista (alguém que gosta de receber a dor). Isso permite que você tenha um termo geral para aqueles que geralmente gostam de estar tanto dando quanto recebendo em um encontro BDSM. E não há nenhuma regra que diz que você não pode ser tanto dominante quanto submisso em circunstâncias diferentes ou com diferentes parceiros.

10. Pode ser tão simples ou tão técnico quanto você quiser.

Talvez o pensamento de ser amarrado te excita, ou você gosta de espancar ou ser espancado. Ou talvez você está mais interessado em máscaras de couro e grampos de mamilo e na cera quente. Tudo isso (e, obviamente, muito mais) está dentro do reino do BDSM. Basicamente, você ainda pode gostar disso tudo sem realmente nunca ter ido a uma masmorra.

11. Antes de você ir além do MUITO básico, faça sua pesquisa.

Usar uma venda ou um cubo de gelo, ou algemas felpudas que você conseguiu em uma festa de despedida, são todos comportamentos de iniciante relativamente inofensivos, se você gostar deles. Mas antes de você brincar por aí com algumas das ferramentas mais complicadas, você precisa aprender a fazê-lo com segurança. Mesmo uma corda ou um chicote pode ser perigoso se você não sabe o que está fazendo.
Você pode até mesmo atrapalhar-se com suas próprias mãos (pense: penetração com as mãos): "[Algumas pessoas] acham que podem firmar um punho e colocá-lo dentro de alguém", diz Brame. "Essa é uma boa maneira de realmente ferir alguém e enviá-lo para o hospital" (em vez disso, ela sugere uma "enorme quantidade de lubrificante" e começar com dois ou três dedos e, em seguida, lenta e cuidadosamente colocar a mão toda).
12. Sério, BDSM envolve MUITA leitura e aprendizagem.
Se você é uma daquelas pessoas que joga fora todos os livros de instruções e tenta construir a sua estante apenas na intuição, o BDSM provavelmente não é para você. "Eu diria que a grande maioria do que chamamos de educação BDSM é como maximizar o ecstasy e minimizar os riscos", diz Brame. "Como fazer todas as coisas com as quais você fantasiou e fazê-las com segurança".
Apesar de não haver uma lista de leitura obrigatória, parece que existe algumas favoritas que muitas vezes são recomendadas para iniciantes, como SM 101, por Jay Wiseman, Screw the Roses, Send Me the Thorns, por Phillip Miller e Molly Devon, e The New Bottoming Book e ​​The New Bottoming Book, por Janet Hardy e Dossie Easton. [Nota do editor: Todos os livros são em inglês. Tem outros livros que você sugeriria? Por favor, adicione-os nos comentários!]
Aulas, conferências e encontros também são úteis para a aprendizagem de técnicas específicas, diz Thorn. Outro recurso popular é o FetLife.com, uma rede como o Facebook para a comunidade "pervertida" que pode conectar você com quadros de avisos, grupos e aula sem sua área.

13. É importante obter suas informações a partir de uma variedade de fontes.

Um erro que muitas pessoas cometem quando experimentam o BDSM pela primeira vez é contar com uma pessoa para mostrar-lhes o caminho. Mesmo que elas tenham as melhores intenções (e elas podem não ter), isso pode estar limitado a ter apenas uma perspectiva sobre algo que é multidimensional, diz Thorn. Em vez disso, busque livros, oficinas, encontros, guias, amigos, quadros de avisos e muito mais para encontrar um lugar seguro para explorar seus interesses.
"Quando você não pode falar sobre o que está acontecendo e você não pode ter noção de sua experiência outras pessoas que também gostam disso, isso se torna muito mais perigoso do que a variedade de coisas sobre BDSM com as quais você pode fantasiar", diz Thorn.

14. Palavras de segurança são definitivamente importantes.

Pode parecer brega, mas é uma norma bem estabelecida no BDSM (e ei, sua palavra de segurança poderia realmente ser "brega" se você quiser. Você escolhe). "Palavras de segurança são, provavelmente, uma das normas mais importantes que se espalharam em toda a comunidade, mesmo que as pessoas as usem de maneiras diferentes", diz Thorn. Por exemplo, nem todo mundo usa palavras de segurança o tempo todo depois de um tempo, mas é importante começar com elas. Elas podem, essencialmente, ser o que você quiser, desde que seja algo que você normalmente não diria durante o sexo.

15. E em alguns eventos públicos, existem até mesmo monitores de segurança de plantão.

"Monitores de masmorra vão expulsar as pessoas que não estiverem praticando com segurança", diz Brame. Isso pode ser qualquer coisa, desde ignorar palavras de segurança a usar um chicote de forma incorreta. Sério, mencionamos que a segurança é primordial aqui? Na verdade, a sigla SSC (seguro, são, consensual) é um dos pilares mais comuns da prática.

16. Não é tão espontâneo quanto os filmes de Hollywood ou pornô pressupõem que seja.

Ser levado pelo momento e tropeçar acidentalmente no quarto vermelho de um milionário (onde você vai ter orgasmos múltiplos) provavelmente não vai acontecer com você sempre. Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim. "A fantasia sexual faz tudo parecer muito fácil", diz Brame. "As pessoas que realmente fazem essas coisas são muito cautelosas sobre isso. Isso tem que ser no lugar certo e na hora certa e com o equipamento adequado. E você tem que saber que você pode retirar a pessoa [de qualquer servidão] se houver uma emergência. Você tem que sentir que pode confiar na pessoa. "Portanto, há muita coisa que entra em uma cena, mas isso não significa que seja menos gratificante para aqueles que gostam disso.

17. Há também, provavelmente, mais conversa envolvida do que há no (maioria) sexo "papai e mamãe".

Sempre que as pessoas questionam o papel do consentimento no BDSM, elas devem considerar a enorme quantidade de comunicação que ocorre antes, durante e depois das cenas. "Falamos muito sobre isso antes de fazê-lo", diz Brame. "Falamos sobre o que queremos fazer, o que vamos fazer, o que são as nossas fantasias... isso faz parte de negociar um bom relacionamento como um praticante de BDSM".

18. Na verdade, existe um período de pré-negociação, em que os parceiros discutem o que eles gostam, o que não gostam e o que eles absolutamente não vão tolerar.

Pense nisso como a cartilha antes da cena. "É uma forma de discutir a experiência de antemão que pode aumentar a segurança emocional", diz Thorn. Isso pode envolver qualquer coisa, de roteiros e listas de checagem, a uma discussão mais informal do que são as expectativas de cada pessoa para a cena, o que elas querem e não querem, e quaisquer palavras ou ações que estejam completamente além dos limites.

19. E depois vem os cuidados posteriores, o período da reunião de balanço que acontece assim que a cena termina.

Como o BDSM pode ser uma experiência extremamente intensa e emocional para alguns, a maioria dos especialistas sugere fortemente este passo de pós-cena, em que os parceiros possam discutir a cena e quaisquer reações que tiveram nela. "As pessoas são extremamente vulneráveis durante o pós-cena", diz Thorn. "Pode ser realmente estranho ter uma cena sem isso". Isso também pode ser uma forte experiência de ligação entre os parceiros.

20. Praticantes de BDSM podem ser monogâmicos, poligâmicos ou seja lá o que eles quiserem.

Nem todo mundo que está interessado em BDSM tem múltiplos parceiros sexuais ou de relacionamento. "Isso costumava ser uma percepção popular de que nós não formamos relacionamentos de longo prazo", diz Brame. "Vários praticantes de BDSM são pessoas monogâmicas. Um monte de gente quer praticá-lo apenas com o seu parceiro ou brincar com os brinquedos grandes em clubes".

21. Há muitos tipos diferentes de chicotes.

Esta não é uma perversão que é igual para todo mundo. Há chicotes leves, de couro, com caudas individuais, com várias caudas planas e largas, e a lista continua, diz Thorn. Mas como certos tipos podem ser mais duros do que outros, você realmente precisa aprender a usá-los corretamente (mais uma vez, as oficinas são cruciais). "As pessoas que praticam com um chicote de cauda individual, muitas vezes, começam com um travesseiro ou algum objeto pequeno distante, como um interruptor de luz", diz ela.

22. E existem alguns lugares que você definitivamente não quer chicotear.

Como os olhos, obviamente. Ou a região dos rins. "A pele é fina lá e você tem órgãos vitais sob lá. Você pode machucar seus rins", explica Brame.

23. Se você quer levar isso ao seu relacionamento atual, absolutamente o faça.

"Há muitas histórias por aí de pessoas que estavam muito nervosas em apresentar essa ideia em seu relacionamento e, em seguida, descobriram que seu parceiro tinha a mesma fantasia", diz Thorn. Se você está nervoso sobre isso, pergunte se eles estariam interessados em verificar se um determinado livro ou oficina sobre a qual você ouviu falar. Ou apenas fale sobre isso no contexto de fantasias sexuais, perguntando ao seu parceiro se ele já experimentou algo parecido com BDSM ou se ele já quis. Se você pensar bem, está apenas arriscando uma conversa estranha, e a recompensa pode ser enorme se isso é algo que você quer em sua vida.

24. Há uma lista imensamente útil de profissionais cientes desta prática, então você pode encontrar um doutor ou terapeuta que compreende exclusivamente o seu estilo de vida.

Talvez você esteja preocupado que o seu ginecologista ou o seu advogado não entenderá seu estilo de vida ou não permitirá que você se sinta à vontade para falar sobre isso. Confira a Lista de Profissionais Cientes da Perversão da Coalizão Nacional para a Liberdade Sexual, para encontrar alguém que terá uma melhor aceitação.

25. Basicamente, isso é diferente do que a maioria das pessoas acha.

Entre os estereótipos, pornografia e 50 Tons de Cinza, há uma série de equívocos sobre o BDSM. Sem participar de uma oficina ou visitar uma dominatrix, a melhor maneira de aprender mais sobre isso é fazendo alguma pesquisa. "Assim como com o sexo normal, se você quer ser bom no que faz, você realmente tem que aprender sobre o que está se passando quando essas coisas estão acontecendo", diz Brame. Fonte: buzzfeed